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Perigo de extinção: alguns idiomas correm risco de desaparecer

Ao longo da história, diversos idiomas deixaram de ser utilizados e se tornaram “línguas mortas”, como é o caso do latim e grego antigo, por exemplo. Por ser um sistema vivo e fluído, que se modifica através do tempo, a língua tem um processo comum: nasce, se transforma e “morre”. Entretanto, engana-se quem pensa que se trata de um fenômeno restrito ao passado. Nunca na história tantas línguas correram risco de extinção e desapareceram com tanta rapidez.

De acordo com o Projeto Idiomas em Risco (The Endangered Languages Project) cerca de 40% dos idiomas existentes no mundo podem desaparecer nos próximos 100 anos. Supervisionada pelo Google e lançada em 2012, a iniciativa criou uma ferramenta para mostrar a situação das linguagens ameaçadas no mundo, com base no Catálogo de Idiomas em Risco (Catalogue of Endangered Languages – ELCat). Na plataforma, é possível explorar línguas ameaçadas, filtrar a busca pelo risco de desaparecimento, local ou quantidade de falantes.

Além da gigante de informática, a Unesco, vinculada à ONU, também se preocupa com o desaparecimento de milhares de idiomas. Em versões física e digital, o Atlas Mundial dos Idiomas em Risco (Atlas of the World’s Languages in Danger), lançado pela entidade, aponta que cerca de 2.500 línguas estão ameaçadas ou foram recentemente extintas. Dessas, 190 são línguas indígenas do Brasil, fazendo do país o 3º em número de idiomas em risco de extinção. Idiomas como kaixána, baré, apiaká, aurê-aurá e kujubim possuem hoje menos de 5 falantes. Quatro troncos linguísticos compõem a maioria dos idiomas em extinção: Macro-Jê, Aruaques, Macro-Tupi e Caribe.

Atualmente, existem no mundo cerca de 7.000 línguas. A Unesco categoriza a vitalidade de idiomas conforme o número de falantes e a chance de transmissão intergeracional. Algumas razões explicam o sumiço de boa parte dessas línguas: desenvolvimento econômico, êxodo rural e globalização. Idiomas dominantes, com mais falantes, se impõem, como é o caso do inglês, aos que têm menos falantes. Assim, somem alfabetos, sistemas complexos de escrita, músicas, ditados, mitologias inteiras, enfraquecidas em povos que muitas vezes dependem da transmissão oral. A preservação de línguas se mostra importante para que não se percam séculos de conhecimento e tradições que ajudaram a formar a sociedade como um todo.

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