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A tecnologia está mudando nossa língua?

Hoje em dia é comum ouvir a expressão “googlei isso”. Nela, o site de buscas Google é um verbo, como já acontece em inglês (“to google”). No caso, a palavra tem o significado genérico de “fazer uma pesquisa na internet”. Esse movimento linguístico, no qual a tecnologia dá origem a palavras que serão usadas em contextos diversos, não é tão recente quanto parece. Anos atrás surgiram outros estrangeirismos relacionados à tecnologia, como o verbo “deletar” (em inglês, “to delete”).

Entretanto, com a popularização da internet, essas mudanças na língua acontecem de maneira mais clara. “A língua propriamente dita muda devagar, mas com a internet o processo se acelerou, então você nota as mudanças mais rapidamente”, comenta, em uma entrevista à BBC, o professor de linguística David Crystal, da University of Bangor.

Em países como a Ucrânia, uma variação escrita on-line do idioma, chamada “padronkavskiy zhargon”, se espalhou pela internet. Trata-se de uma mistura de russo e ucraniano, escrita foneticamente e usada em geral para mostrar desaprovação ou raiva. Tanto no Brasil quanto em outros países, as abreviações e acrônimos (“OMG” para “oh my God” ou “PLMDDS” para “pelo amor de Deus”) também já dominam o meio digital.

As mudanças perceptíveis se dão mais nas palavras e menos na estrutura da língua; por isso, ainda é cedo para prever o impacto da tecnologia nos idiomas. Entretanto, alguns casos pouco usuais estão surgindo. A nova linguagem da internet já precisou ser “traduzida” para os tribunais. Em abril de 2010, o norte-americano Christopher Poole, fundador do site 4Chan, teve que depor em um caso sobre um homem acusado de hackear (outra palavra oriunda da internet) a conta de e-mail da política Sarah Palin. Na ocasião, Poole apresentou definições de diversas gírias de internet para que os advogados pudessem dar continuação ao caso.

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